Soneto de sinhá

Maria João era uma menina da roça
Cresceu com os pés descalços na terra molhada
Com a noite mais bonita e estrelada
Com laço de fita e vestido rendado, toda prosa

Um dia Maria João precisou se mudar pra cidade.
Virou moça crescida. Terminou a escola.
E por ventura foi parar na faculdade

Trocou o vestido pela calça jeans
Os pés, aprisionou com meias e sapatos
Dessa vida nova, Maria João era aprendiz

Quatro anos se passaram e a moça se formou
Com diploma na mão, não haviam mais limites
Vá pro sul! Vá pro norte! Não faltavam palpites
Mas foi pra casa da roça que Maria João voltou

 

1 Resposta para “Soneto de sinhá”


  1. 1 Rose 28 de março de 2011 às 11:04 pm

    Pode voltar pra roça, mas Maria João mudou para sempre, não cabe na casinha porque é cidadã do mundo… mas cabe na casinha, porque quando se é cidadã do mundo não há mais lugar ‘estranho’.
    muitosssssssssssss beijossss


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